Papéis – Em uma relação amorosa, os papéis em geral são bem definidos: ela, além de parceira e mulher, muitas vezes é mãe das crianças que o casal venha a ter; ele, além de marido, pode ser pai dos filhos que o casal tenha. No dia a dia, quando um não está presente, o outro toma a dianteira. Mas quando o marido ou a mulher se torna a criança da relação? O que fazer? Saiba como agir nesta situação e veja mais sobre a importância do diálogo na vida a dois.

Quando o marido não quer crescer

A mulher moderna assumiu muitos papéis sociais: é muitas vezes profissional, mãe, esposa, dona de casa, amiga, filha, etc. Contudo, há papéis que não deve assumir, para o bem da relação e do desenvolvimento do seu parceiro: ser mãe do seu marido.

É certo dizer que a cultura brasileira possui a característica de manter os filhos perto dos pais por mais tempo, inclusive na vida adulta. O homem, que é incentivado a ser o provedor, é também muito dependente quanto às coisas práticas da vida e até mesmo na relação emocional com a mãe. Quando casa ou parte para uma vida conjunta, transfere para a mulher os mesmos anseios que tem no seu primeiro núcleo familiar. Mas isso não é uma regra, apenas uma situação comum. Muitos homens, com a rotina, acabam considerando que é importante dividir as tarefas e as responsabilidades de um lar, e isso é um sinal de maturidade.

papéis

Mas o que acontece quando ele não se torna parcialmente responsável na relação ou quando ele não tem a consciência de que a mulher possui outras responsabilidades que não as dele? Esta é uma situação muito complexa e comumente chega às sessões de Coaching ou de terapia de casal. Muitos caracterizam a situação como uma versão da famosa Síndrome de Peter Pan, uma característica emocional e comportamental que só ocorre com homens, evidenciando atitudes infantilizadas e irresponsáveis.

Um homem que vê na mulher uma mãe em geral não se expressa bem emocionalmente, não assume compromissos – ou quando assume, não cumpre – tem ideias ilusórias sobre o futuro, idealiza a mulher, não sabe lidar bem com as dificuldades, é egoísta, entre outros aspectos. Identificou alguma similaridade com o seu relacionamento? Então, é hora de parar para conversar!

Comunicação, maturidade e inversão de papéis

Analise como tem agido diante desta situação – se tem feito os seus desejos e aceitado a imaturidade dele, você pode ser parte do problema. Se você começar a tratar o seu marido como seu filho, em uma situação normal, ele se sentiria desconfortável e talvez ofendido. Mas neste caso, é tudo o que ele quer. E isso leva ao desgaste da relação. Você também não estará contribuindo para que ele evolua emocionalmente.

papéis

Cada cônjuge tem as suas responsabilidades na relação. Se ele falhou nas suas tarefas, não aborde o assunto em um tom maternal. Apenas lembre-o que era a sua vez de executar uma determinada tarefa. É normal se esquecer de fazer as coisas, mas isso não pode passar batido. Entretanto, não há necessidade de repreensões.

Dê liberdade para ele ser responsável

Ninguém gosta de ser sufocado. Seu marido também não. No caso de adquirir responsabilidade e aprender que todos possuem tarefas a cumprir, é preciso que haja liberdade para ele aprender a fazer as coisas ao seu modo. Ele precisa de um momento para si. Quanto mais controle você quer impor em uma situação, mas a mãe dele você será, e isso não é produtivo. Se está faltando confiança da sua parte, vale a pena sentar e conversar novamente. Este espaço precisa ser respeitado. A confiança deve ser dada e recebida por ambas as partes.

Não o critique ou deprecie

As críticas e a depreciação são inimigas de uma relação de sucesso. Cada um possui as suas próprias maneiras de executar tarefas ou lidar com situações. Nem todos pensam ou fazem coisas iguais. Não critique o seu marido pelo modo como ele resolve as coisas, se ele de fato estiver resolvendo. Ele está fazendo a parte dele ao seu modo. Caso não esteja tendo um comportamento adequado, converse, sem depreciações. E dê-lhe tempo para processar o que você está dizendo.

É preciso ter paciência em uma relação amorosa, em qualquer que seja o caso. Assim como qualquer pessoa, o seu marido terá ideias estranhas e sentirá a necessidade de realizá-las. Como esposa, é natural que você o apoie e incentive. No caso de insucesso, apoie como uma lição para ele aprender. Não seja hipócrita dizendo: “Eu te avisei”. Continue a apoiá-lo.

papéis

A frustração irá acontecer entre o casal, mas não nos dá o direito de repreendê-los como se fossem crianças. Sempre que o comportamento dele for difícil de suportar, aborde sua preocupação com calma e respeito. Nem sempre as pessoas sabem que estão de fato incomodando. Não o trate como criança, mesmo que ele aja assim às vezes, pois ele não é e sabe disso. Além disso, se o seu marido quis que você se casasse com ele porque queria uma mulher, não outra mãe.

Malu Moreira

Malu Moreira trabalha com relacionamentos há mais de 15 anos. Durante todo esse tempo, trabalhou com diversas culturas e costumes, aumentando ainda mais o seu conhecimento e experiência no dia a dia com relacionamentos. Casada e mãe de quatro filhos, ela vive em “estado de graça”, como costuma sempre dizer.

Sua estrada traz na bagagem além do Brasil, países como Bolívia, Portugal, Angola, Inglaterra e Suíça, onde reside atualmente.

E como ela sempre diz: “Eu acredito que duas pessoas possam viver em perfeita harmonia, respeitando os seus limites, contanto que estejam tomadas pelo amor”.

Leave a Reply

Your email address will not be published.